segunda-feira, fevereiro 10

Inveja?!?!



No mundo estamos entregues a uma guerra o tempo todo, as pessoas se veem como um competidor em potencial. Sentimo-nos ameaçados por aqueles que mesmo nos tratando cordialmente desejam nosso lugar na empresa, nossa vaga na faculdade, nosso lugar no concurso publico, etc. O mundo vive um estado de competitividade absurdo: algo que até tem causado doenças emocionais terríveis em muitas pessoas em virtude desta pressão. Porém na esfera secular, governada pelo espírito do anticristo, sabemos que é assim que funciona. O mundo é um imenso e árido Saara, como projeção da aridez da alma humana sem Deus. Esta aridez não é necessariamente a falta de recursos e água do ponto de vista externo, antes, aponta para o interior humano que depois da queda tornou-se em um estado de sequidão tal que, mesmo na possibilidade de sorver o mundo todo, jamais conseguiria aplacar a sua sede ou encontrar contentamento. Isto é o que disse o teólogo e filosofo católico nascido no final do século XIX, o britânico G. K. Chesterton, em seu livro O Homem Eterno: Se nada neste mundo consegue trazer contentamento ao homem, a única conclusão lógica que chego é que o homem não é deste mundo. A aridez do homem sem Deus, onde nada é capaz de satisfazê-lo, é que transforma um mundo lindo, rico e exuberante como o nosso em um Saara. Quando tentamos encontrar a razão, a força que é capaz de transformar o céu num inferno, por incrível que pareça, somos transportados para regiões celestes das pedras afogueadas, nada mais, nada menos que o Monte Santo de Deus. Pois é lá que encontramos uma criatura tão exuberante que foi chamada de sinete da perfeição ou, como diz uma tradução católica, “o selo da semelhança de Deus”. De tanto se contemplar e se admirar pôde perceber que era incomparável a menos que olhasse para cima, para o trono de Deus e, por esta razão, acabou por desejá-lo. Neste momento a maldade se instala como uma possibilidade. A comparação entre o que sou e aquilo que é mais elevado do que eu deixa-me apenas duas possibilidades no caso de ser Deus, que se eleva sobre mim e sobre tudo. Em primeiro lugar adorá-lo, por ser incomparável: o totalmente outro como gostava de enfatizar Karl Barth. Em segundo lugar me rebelar contra Ele na tentativa de usurpar seu trono. A isto damos o nome de inveja. A inveja é isto. Seu poder corrosivo e destrutivo é incomparável, a força maligna capaz de transformar anjos em demônios e seres humanos em diabos. Não importa quanta glória Deus lhe conceda, se a inveja lhe pegar ela transformará toda essa glória em nada. A única coisa que importara é o impossível de ser o que não se é. Lançando suas vitimas num lamaçal de imitação barata, de mentira e de maldade, pois não a limites para o invejoso, ao passo em que caminha, sua associação com a maldade se transforma em identificação com o mau, de tal maneira que o ser vira o diabo e nem percebe. 

 Na graça bruta, Alexandre

quarta-feira, fevereiro 5

Observáveis os frutos de arrependimento em sua vida?


Jesus nos ensina a não tomarmos a oração e a sinceridade como segurança de salvação, e sim as ações — o fruto de nossa vida (Mt 7.15-27; Jo 15.8; 2Pe 1.5-12). O Novo Testamento nos ensina a considerarmos a santidade de conduta, o amor pelos outros e a pureza de doutrina como os indicadores de nossa segurança de salvação (1Ts 3.12-13; 1Jo 4.8; Gl 1.6-9; 5.22-25; 1Tm 6.3-5). Isso significa que não devemos encorajar as pessoas a se sentirem seguras de sua salvação fundamentadas apenas em uma oração que fizeram no passado, quando não têm quaisquer frutos de arrependimento observáveis em sua vida. 

#pense nisso......

 Precisamos compreender que as pessoas podem fazer orações sinceras e vir à frente, depois do sermão, sem arrependerem-se e crerem em Jesus. Isso tem sido feito durante dois mil anos. O escritor da Epístola aos Hebreus nos adverte que muitas pessoas tinham desfrutado de experiências espirituais genuínas e que tais experiências não eram coisas “pertencentes à salvação” (Hb 6.4-9; cf. 2Pe 1.6-10). Ele também nos instrui que a fé, a esperança e o amor são critérios mais confiáveis (Hb 6.9-12). O fruto de obediência é a única evidência externa que a Bíblia nos recomenda usar para discernirmos se uma pessoa é ou não convertida (Mt 7.15-27; Jo 15.8; Tg 2.14-26; 1Jo 2.3).

quinta-feira, janeiro 16

AS RESPONSABILIDADES DO PRESBÍTERO


[…] 
IV. AS RESPONSABILIDADES DO PRESBÍTERO Em textos como Atos 20.28, 1 Pedro 5.1-3 e Hebreus 13.17, fica claro que os presbíteros são (a) pastores do rebanho de Deus. Eles devem cuidar, guiar e alimentar o povo de Deus com a verdade de sua Palavra, assim como bons pastores de ovelhas cuidam para que elas tenham pastos verdejantes e água adequada. Eles são (b) vigias que são responsáveis pela alma dos homens, sendo obrigados a dar conta de sua supervisão. Eles também devem ser (c) exemplo para o povo Deus, jamais agindo como dominadores (1Pe 5.1ss). 
Entre as várias atribuições que encontramos mencionadas na Escritura, destacamos as seguintes: os presbíteros devem visitar os enfermos (Tiago 5.14); garantir que tudo na igreja seja feito com decente e ordem (1Co 14.37-40); lutar contra a falsa doutrina (Atos 20.28-30); evitar disputas infrutíferas sobre meras palavras (2Tm 2,14); exortar o povo (Tito 1.4); e juntamente com os presbíteros de outras igrejas devem resolver as disputas que surgem em sua congregação sobre a base da autoridade suprema da Bíblia (Atos 15). 

É claro a partir dessa breve investigação, e de outros textos similares, que o presbítero é primariamente responsável por manter uma supervisão dos membros particulares da igreja local. A passagem de 1 Pedro 5.2-3 sugere que todo presbítero na era apostólica recebia uma esfera específica de dever e autoridade. (Um bairro com várias famílias era designado à responsabilidade particular de determinado presbítero?) Ele também tinha que se preocupar com o bem-estar da congregação como um todo. A vida corporativa da igreja estava sendo mantida fiel às Escrituras? O Evangelho verdadeiro estava sendo fielmente pregado, os 
sacramentos corretamente administrados e a disciplina eclesiástica fielmente mantida? A doutrina, adoração e governo da igreja estavam sendo mantidos de uma forma bíblica? Sem dúvida, é evidente quão artificial seria imaginar que os presbíteros tinham apenas uma função real [de rei]!

 Numa seção anterior, o autor tentou demonstrar que “tanto presbíteros como diáconos incorporam a 
autoridade delegada de Cristo. A medida desse dom difere, mas há um aspecto ou elemento profético, 
sacerdotal e real na obra dos presbíteros e dos diáconos”. [N. do T.]  

Para realizar essa tarefa importantíssima, é óbvio que o presbítero regente de hoje precisa estar bem arraigado nas Escrituras. Ele precisa de uma boa compreensão do que chamamos “teologia bíblica”, o entendimento do processo de autor revelação de Deus na história, como apresentado na Escritura. Como ele pode proteger o rebanho das más interpretações atomistas das seitas de hoje, se ele não sabe como interpretar um texto particular da Bíblia à luz desse desdobramento da revelação de Deus? Novamente, ele 
precisará ter uma boa noção de “teologia sistemática”. Muitas  dificuldades que surgem na vida dos crentes são devido a uma carência do entendimento da verdade de Deus como um sistema coerente. O resultado é que eles carecem da habilidade para distinguir coisas que são diferentes. Como os presbíteros podem ajudar a aliviar essa fraqueza, se eles mesmos carecem de discernimento? Aqui vemos a importância prática de pelo menos um entendimento modesto da história da Igreja. A maioria dos nossos problemas modernos é pouco mais que versões recauchutadas de heresias e movimentos contra os quais a Igreja já lutou no passado. E, sem dúvida, os presbíteros precisam entender os princípios de governo eclesiástico. Observamos essas coisas, primeiro, porque não queremos que algum leitor pense que minimizamos a educação. É essencial que todos os presbíteros da igreja sejam bem versados nesses assuntos. 
Mas tendo dito isso com ênfase, é igualmente importante observar que a maioria das qualificações para o ofício de presbítero não possuem caráter acadêmico. Aqui está, em nossa opinião, a fraqueza básica em nosso atual sistema de treinamento de presbíteros docentes. Não é autoevidente que o apóstolo, ao apresentar as várias exigências para o ofício na igreja primitiva, esperava que as pessoas escolhessem dentre eles (Atos 6.3) homens que satisfizessem aquelas exigências? Não é igualmente autoevidente que as pessoas poderiam fazer isso somente se tivessem um relacionamento relativamente de longo prazo com os homens que estavam avaliando? É justamente aqui que vemos um sério problema hoje. O sistema atual de treinamento via Seminário   não fornece essa exposição contínua daqueles que desejam ser presbíteros docentes aos membros da congregação. As congregações geralmente chamam homens de quem têm pouco ou nenhum conhecimento íntimo. Isso nem sempre foi assim. Antigamente no Presbiterianismo Americano, os pastores eram com frequência treinados por pastores enquanto viviam com a congregação. Cremos 
que é tempo de buscar restaurar essa dimensão. Talvez a invenção providencial de meios de comunicação por meio dos quais a instrução pode ser ministrada à distância nos ajudará a preencher essa lacuna. O povo de Deus deveria conhecer os homens que chama. Deveria conhecê-los bem o suficiente para determinar o seu voto com base em todas as qualificações listadas pelo apóstolo, e não apenas aquelas que são acadêmicas. 
[…] 

Tradução: Felipe Sabino de Araújo Neto1
Fonte: Trecho do excelente artigo A Look at the Biblical Offices, de G. I. Williamson, que apareceu na revista Ordained Servant vol. 1, no. 2 (Abril 1992).